O Cais do Valongo, no Porto de Santos, foi o primeiro do Brasil a ser construído com pedra. Foram 260 metros, inaugurados com a atracação do navio inglês Nasmyth (e não Nasmith), da armadora britânica L amport & Holt. Foi também o primeiro porto organizado do País. Antes, os portos tinham atracadouros de madeira, chamados de trapiches. O Cais do Valongo foi construído pela CDS - Companhia Docas de Santos, concessionária particular que administrou o porto de 1890 a 1980.
Porto de Santos completa 114 anos como porto organizado
Terça-feira, 7 de fevereiro de 2006
Nesta quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006, o Porto de Santos comemorou uma data histórica: 114 anos da inauguração dos primeiros 260 metros de cais de pedra do Brasil, no Cais do Valongo – o primeiro porto organizado do Brasil. O navio que teve a honra de marcar aquele momento histórico foi o britânico Nasmyth (e não Nasmith), da armadora Lamport & Holt.
Para celebrar a data, a Codesp – Companhia Docas do Estado de São Paulo (www.portosdesantos.com), empresa do Governo Federal vinculada ao Ministério dos Transportes, em parceria com a Prefeitura Municipal de Santos (www.santos.sp.gov.br), promoveu um passeio de escuna pelo Estuário de Santos. Cerca de 1.500 crianças de escolas do Município tiveram oportunidade de fazer um passeio de escuna, ao longo desta quinta-feira.
Este jornalista, Armando Akio, especializado em assuntos portuários, marítimos, de transportes e comércio exterior, teve a oportunidade de participar desta celebração. Aproveito para dar os parabéns à Codesp e à Prefeitura de Santos pela iniciativa.
Fiz a viagem das 12h40, na embarcação Bravo Mar, da Bravo Tur Turismo Náutico (www.bravotur.com.br). O secretário de Assuntos Portuários de Santos, Sergio Aquino, estava na Ponte Edgard Perdigão, na Ponta da Praia, em frente ao Clube de Regatas Saldanha da Gama.
Aquino comentou que no passeio das 10h40, autoridades convidadas disseram jamais ter feito um passeio pelo estuário, a mostrar que a iniciativa foi um sucesso total, aproximando a comunidade do complexo portuário.
O secretário também antecipou que, em agosto de 2006, ocorrerá a Semana Cidade-Porto, exatamente com o intuito de promover esta aproximação entre comunidade e porto.
Aliás, em 16 de dezembro de 2005, uma sexta-feira, entrevistei Aquino, e ele já havia antecipado que uma das metas da gestão dele à frente da Secretaria de Assuntos Portuários de Santos é aproximar a comunidade do porto. A começar pelas escolas, que foi o que aconteceu nesta quinta-feira.
As crianças que embarcaram na Bravo Mar às 10h40 de 2 de fevereiro chegaram de ônibus à Ponte Edgard Perdigão, procedentes das escolas municipais. A embarcação tem capacidade de 100 pessoas, número que foi devidamente controlado, para que não entrasse mais gente do que o permitido pela Capitania dos Portos de São Paulo (https://www.mar.mil.br/cpsp), órgão do Comando da Marinha (www.mar.mil.br)
A Bravo Mar navegou à velocidade média de 7 nós (13 quilômetros horários – 13 km/h). O comandante do barco deu as boas-vindas aos alunos e professoras-monitoras. Adiantou que o passeio teria a duração de uma hora e meia, estendendo-se pelo estuário até a região do Centro Histórico de Santos, na altura da Bolsa de Café.
Antes de prosseguir, é preciso esclarecer um ponto aos que não conhecem Santos. A parte insular de Santos (Santos ilha) fica na Margem Direita do Estuário. E o Guarujá (www.guaruja.sp.gov.br) está na Margem Esquerda.
A denominação, já incorporada na linguagem portuária, tem o referencial de alguém que está, por exemplo, no Valongo, onde o porto organizado começou, e olha do Valongo para o Paquetá. Santos fica no lado direito e Guarujá, do esquerdo.
Ao zarpar da Ponte Edgard Perdigão rumo ao Centro Histórico de Santos, a Margem Direita do Estuário fica à esquerda do observador. Logo após a partida, se destacam as cinco torres, cinco edifícios de 27 andares cada um, o Residencial Jardins da Grécia, um condomínio de alto luxo recém-construído, pela Construtora Miramar, do Grupo Mendes (www.grupomendes.com.br).
No lado de Guarujá, o destaque é a Fortaleza da Barra ou Forte da Barra (Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande), construído em 1584 na Ilha de Santo Amaro, nome da ilha que abriga o Município de Guarujá. Mais detalhes podem ser consultados no endereço eletrônico: www.unisantos.br/fortalezadabarra
A seguir, o próximo destaque é a estação de barcas e balsas da travessia entre Santos e Guarujá. As barcas transportam pedestres. E as balsas (ferry boats), veículos. No lado de Guarujá, o destaque é o perfil do novo shopping center, o Ferry Boat’s Plaza, da Translitoral (www.translitoral.com.br/noticia.asp?codigo=240).
Logo após, à esquerda, surge o Corredor de Exportação de grãos e cereais, próximo à estação de balsas. O Corredor abrange o Cais dos Armazéns 38 e 39 para atracação, além de armazéns externos, de retaguarda, para estocagem de soja e farelos vegetais.
No lado do Guarujá, vizinha à estação de balsas, estão as instalações do Iate Clube de Santos (www.icsantos.com.br), que, apesar do nome, Iate Clube de Santos, fica no Guarujá. A marina de atracação das lanchas e iates sobressai, assim como o hotel que hospeda os navegadores e passageiros das embarcações que preferem dormir em terra e não a bordo.
No lado de Santos, aparece agora o Terminal 37 (www.t37.com.br, do Grupo Libra (www.grupolibra.com.br), para movimentação de contêineres. E o Terminal 35, do Libra, igualmente para operação de contêiner.
Na margem do Guarujá, é a vez do terminal portuário da Dow (www.dowchemical.com.br), com os grandes tanques brancos fincados no solo.
O terminal portuário da Cutrale (www.cutrale.com.br) é o próximo, ainda no lado do Guarujá. E depois o da Cargill (www.cargill.com.br). Ambos são para exportação de produtos cítricos, como suco de laranja e farelo de polpa cítrica.
O Tefer – Terminal de Fertilizantes, também no Guarujá, surge em seguida. Ele fica em frente ao Cais do Armazém 35, onde fica o Terminal 35 da Libra. E este fica na direção do Canal 6.
A propósito dos canais. Os canais principais, os mais visíveis e conhecidos, são 7, numerados de 1 a 7, a começar do José Menino, bairro que faz divisa com o Município de São Vicente, até o 7, na Ponta da Praia (o Canal 6 também fica neste bairro).
Agora, no Guarujá, é a vez do Tecon – Terminal de Contêineres, da empresa Santos Brasil (www.santosbrasil.com.br). O Tecon foi o primeiro terminal para contêineres do Brasil, inaugurado em 30 de agosto de 1981 pelo então presidente da República, João Batista Figueiredo. Tive o privilégio de, a serviço do jornal Cidade de Santos, participar da cobertura jornalística de inauguração.
Na ocasião, o jornalista Francisco La Scala, o meu companheiro de Cidade de Santos, acompanhou o lado político da visita do presidente, que anunciou a autonomia política de Santos, que somente seria concretizada em junho de 1984, quando houve eleição para prefeito.
Em 1969, o prefeito eleito, Esmeraldo Tarquínio Filho, foi cassado pelo regime militar em vigor no País. Desde então, Santos teve prefeitos nomeados – nomeação indicada pelo governador do Estado de São Paulo e referendada pelos militares.
O Tecon fica em frente ao Cais dos Armazéns 31 e 32. Vizinho ao Tecon, fica o TEV – Terminal de Exportação de Veículos, área de expansão do Tecon, para estocagem de automóveis.
Na margem de Santos, o próximo destaque é o terminal da Citrosuco (www.citrosuco.com.br), do Grupo Fischer, de exportação de suco de laranja, no Cais do Armazém 29, na direção do Canal 4, onde fica a Bacia do Macuco.
Ainda em Santos, o Cais da Mortona, no Cais do Armazém 27, vem a seguir. Nele, a Marinha – leia-se a Capitania dos Portos – mantém instalações. E ali atracam agora os navios da Marinha, que costumam abrir ao público, em geral nos finais de semana.
No Cais do Armazém 26 de Santos fica o T-Grão, do Grupo Multicargo (www.multicargo.com.br). Nele ficam os silos verticais para estocagem de trigo importado e outros cereais, como aveia, por exemplo.
Também ali está a torre de alta tensão, que comporta os fios que transportam a energia da Usina Hidrelétrica de Itatinga, construída em 1910 pela CDS – Companhia Docas de Santos, concessionária particular do complexo portuário santista, que administrou o porto de 1890 a 1980.
Continuando o passeio. No lado de Santos, o próximo destaque é o Terminal Marítimo de Passageiros do Concais (www.concais.com.br), no Cais do Armazém 25. A instalação sobressai na paisagem portuária porque o telhado é pintado de azul. Ao lado, fica o Cais do antigo Armazém Frigorífico, também integrante do complexo de recepção de turistas de navio.
Ainda no lado de Santos, visível à esquerda para quem está na Bravo Mar e se dirige da Ponta da Praia rumo ao Centro Histórico, vem o Terminal de Sal, no cais dos Armazéns 22 e 23. Mas o destaque são as vizinhas instalações de exportação de açúcar, a granel (solto) e em sacos.
São o Terminal Açucareiro Copersucar (www.copersucar.com.br), o Terminal da Cosan (www.cosan.com.br) eo Teaçu Armazéns Gerais (www.teaçu.com.br). Eles arrendaram armazéns de beira de cais (os chamados internos, numerados com algarimos arábicos) e armazéns de retaguarda (os externos, expressos por números romanos).
O da Copersucar compreende o Cais dos Armazéns 20 e 21 e os Armazéns VI, XI, XVI e XXI. O do Teaçu abrange o Cais do Armazém 19 e os Armazéns V, X, XV e XX. E o do Teaçu, o Cais dos Armazéns 16 e 17 e os Armazéns IV, IX, XIV e XIX.
Nesta altura do estuário dá para se notar, ao fundo da paisagem insular de Santos, o Morro de Monte Serrat, onde antigamente havia um famoso cassino. Hoje é um ponto turístico para onde são levados turistas brasileiros e estrangeiros, em função da excelente vista panorâmica que oferece da Cidade, mostrando de um lado o estuário e do outro a praia.
A VCP – Votorantim Celulose e Papel (www.vcp.com.br) surge a seguir, ocupando o Cais dos Armazéns 13 e 14.
O edifício do Tráfego da Codesp destaca-se, no Cais do Armazém 12. Ele fica na curva entre o Cais do Armazém 13 e o 11. O Tráfego controla, entre outras atividades, as operações de atracação dos navios no Porto de Santos.
Ainda no lado de Santos, a seguir o destaque, na altura do Armazém 10, é o Moinho Santista, do Grupo Bunge, que em 1905 completa 100 anos de Brasil, exatamente com a instalação do moinho no porto.
No Cais do Armazém 8, o destaque é o navio de pesquisas Professor Wladimir Besnard, do Instituto Oceanográfico da USP – Universidade de São Paulo (www.io.usp.br). Junto a ele, se encontra o barco de pesquisas Orion, que funciona como escola de pesca e é operado pela SDS – Social Democracia Sindical (www.sds.org.br), em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, proprietário da embarcação.
Continuando, o próximo destaque é o Edifício da Alfândega de Santos (www.receita.fazenda.gov.br), entre o Cais do Armazém 6 e o 5. Ali também funciona a estação de barcas para a travessia entre Santos e Vicente de Carvalho, distrito do Município do Guarujá. Aliás, antes da Alfândega, junto a ele, está o prédio da Fazenda do Estado de São Paulo, também conhecido como Mesa de Renda.
O cais do Armazém 4 até o 1 integra área que no final da Década de 80 do Século 20, na gestão de José Sarney como presidente da República, foi aterrada para que o Cais do Valongo, como é conhecido aquele trecho do porto, avançasse cerca de 190 metros no estuário. O Governo Collor, em 1990, paralisou as obras.
A Codesp arrendou a área do Valongo para operações portuárias, mas depois de negociações entre a empresa arrendatária, a Codesp e a Prefeitura Municipal de Santos, esta finalmente obteve autorização do Governo Federal para ocupar o espaço, transformando-o em área turística, integrada ao Projeto Alegra Centro (www.alegracentro.com.br). Estudos serão realizados para se definir a melhor utilização do espaço.
A ponta do passeio da Bravo Mar ocorre exatamente no Cais do Armazém 1, onde o moderno Porto de Santos começou, com a atracação do Nasmyth, em 2 de fevereiro de 1892. A partir desse ponto do estuário, a embarcação começou o retorno para a Ponta da Praia.
Para quem nunca fez o passeio de barco rumo ao Porto de Santos, segue a recomendação para fazê-lo pelo menos uma vez na vida. Além da beleza da paisagem portuária e estuarina, é uma viagem que permite manter contato com a estrutura do maior complexo portuário do Brasil.
Por ora é isso.
Abraços
Armando Akio